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Nossa Senhora Dos Mártires de LisboaParóquia dos Mártires

Este é o tempo favorável...

Prior Armando Duarte.

Como vem sendo habitual, o Santo Padre e o nosso Patriarca, através duma Mensagem Quaresmal, exortam-nos a aproveitar bem este tempo da Quaresma, um tempo penitencial que nos prepara para a celebração do Tríduo do Senhor  crucificado, sepultado e ressuscitado, que culminará do Domingo de Páscoa.

Naturalmente, não são nem o Santo Padre, nem o Senhor Patriarca, a dizer o que é Quaresma… A Quaresma é a Quaresma! Porém, as suas mensagens, sempre convergentes – «A Mensagem de Bento XVI é muito bela (…) Esta minha mensagem não pretende ser “outra mensagem”, ao lado da do Santo Padre», diz o Senhor Patriarca – focaliza-nos mais nalgum elemento característico da Quaresma, o que é bom, pois evita a dispersão.

Deserto, jejum, abstinência, ascese, são armas para o combate que, como sucedeu com Cristo, nos conduzirão à vitória sobre as potências contrárias a Deus. Foi assim com Jesus… depois daquele feroz combate com o diabo, no deserto, logo após o baptismo de João Baptista, «os anjos aproximaram-se e puseram-se a servi-Lo». As tentações de Jesus, episódio que sempre ouvimos narrar no 1º Domingo da Quaresma, é um prelúdio do mistério pascal na noite santa. Isto para dizer que a Quaresma, sendo um tempo austero e exigente, é repassado pela alegria, pois prepara a grande Festa, a Páscoa da Ressurreição!

Além das obras de mortificação e renúncia, aquilo que se exige é sempre uma abertura maior à Palavra de Deus e um zelo mais intenso na participação do culto divino e no exercício de uma caridade prática, o que exige conversão da mente e do coração em todos os domínios da nossa vida.

A participação na missa dominical, através da escuta atenta da Palavra proclamada, permite-nos valorizar os elementos baptismais característicos da Quaresma, bem como apreender aqueles elementos penitenciais que nos podem conduzir à conversão.

Tudo isto, todos os anos, nesta espécie de retiro da Igreja e com a Igreja.

Nas mensagens de este ano, que comecei por referir, somos exortados, tanto pelo Santo Padre como pelo nosso Bispo, a estar especialmente atentos à prática da caridade.

«O nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e os nossos problemas que fique surdo ao brado do pobre», diz o Santo Padre. Sem esquecer que este “prestar atenção” ao outro, «inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem estar espiritual» e continua o Papa: «hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos».

O Senhor Cardeal-Patriarca, recorda aquela expressão conhecida de Bento XVI: a caridade  é «um coração que vê». Sendo assim, «o amor fraterno não é redutível  a esquemas impessoais de solidariedade; é amor de uma pessoa por outra, que se olham de frente, que se conhecem em toda a sua realidade».

Embora se mantenha no Patriarcado a “Renúncia Quaresmal”, este ano a favor do Fundo Diocesano “Igreja Solidária”, não devemos limitar-nos a pôr no envelope da renúncia aquilo que poupámos no jejum e na abstinência que fizemos, e a colocá-lo nos mealheiros que, para o efeito, existem nas nossas igrejas, descansando assim a nossa consciência. Mesmo sabendo que o tal Fundo Diocesano gere bem a nossa oferta, não podemos deixar de «prestar atenção» aos irmãos que connosco se cruzam, ajudando-os, não apenas com o nosso supérfluo, mas renunciando a algo que nos faz falta.

O Senhor Patriarca apela ainda à participação no programa de evangelização que «tem a sua sede na Catedral e no ministério do Bispo diocesano». Isto, porque «Cristo, que continua a querer salvar todos os homens, precisa da nossa ousadia, porque O queremos seguir e partilhar com Ele a missão, nesta sociedade que parece ter-se afastado tanto d’Ele e do Seu Evangelho».

Quaresma: «Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação» (2 Cor 6,2), diz São Paulo na segunda leitura da missa de Quarta-Feira de Cinzas. Que seja assim para cada um de nós!

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