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Nossa Senhora Dos Mártires de LisboaParóquia dos Mártires

Mensagem de Natal

Prior Armando Duarte.

A devoção a Maria, invocada nos seus títulos mais antigos, ganha visibilidade nos fatos da Virgem – as imagens são de roca – e na sua caixa de jóias, já que os ex-votos são muitas vezes, jóias e ouro. São impressionantes, por exemplo, a colecção de vestidos de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e o tesouro da Senhora da Nazaré.

A devoção a Nossa Senhora dos Mártires entrou em declínio em finais da segunda década do século passado. As jóias de Nossa Senhora, com autorização da autoridade diocesana, foram vendidas em momento de maior aperto, em finais dos anos 60, e os vestidos da Senhora foram… esquartejados. A Mariazinha que Deus tem, na época, uma das raras devotas, recortou dos fatos antigos os bordados em ouro e prata, para os aplicar em vestidos de cetim e tafetá que ela própria fazia.

As coisas estão a mudar e de forma sustentada, como hoje se diz, porque a mudança vem da juventude. Na Imaculada Conceição a Senhora dos Mártires apareceu esplendorosa, com um vestido desenhado e executado por um jovem designer, uma jóia criada por um jovem joalheiro e com os brincos oferecidos por um jovem devoto. O Menino Jesus tem passado o Advento a dar pulos de contentamento ao colo da Mãe, semelhantes aos que, faz dois mil e tal anos, dava naquele ventre virginal.

Desde a Imaculada Conceição, os concertos de Natal e o Presépio têm atraído à Basílica muita gente. Quanto aos concertos, já sabíamos como é… as canções de Natal, a beleza da igreja, as pessoas que se juntam congregadas pelo fascínio da arte e pelo sortilégio da época: um deslumbramento!

No que ao Presépio diz respeito, não havia uma experiência anterior recente. Sabia-o referenciado sempre que vêm à baila os Presépios do século XVIII, porém, olhava para as caixas de cartão onde depositaram as figuras depois de retiradas da maquineta, e só via cacos.

Uma especialista em restauro aceitou o desafio de pôr ordem naquela amálgama de pedaços de terracota. O resultado, tendo em vista o objectivo, nem foi o melhor… A ideia era confrontar as pessoas com a deterioração de uma valiosa obra de arte, motivando-as a contribuir para o restauro. Mas ficou tão bem montado, que muitos até pensam já estar restaurado!!! Mas não está, é só olhar melhor.

O Presépio tem cerca de cem figuras distribuídas por várias cenas; a expectativa messiânica, a anunciação, a natividade, a anúncio aos pastores, a adoração dos pastores, o cortejo dos reis magos, a matança dos inocentes e a fuga para o Egipto. Além desta espantosa catequese, foram também reconstituídas as cenas típicas dos Presépios da escola de Machado de Castro: a matança do porco, que situa o Natal no tempo; as actividades do quotidiano e a abundância da fauna, que situa a Encarnação no mundo. A cena do dorminhoco, o bailarico e o jogo da malha, chamam a atenção para a indiferença de muitos face ao acontecimento que mudou a História.

O dorminhoco, o diversorium… Continua a ser a atitude de tantos dos nossos contemporâneos! Não poderá dar um safanãozito em alguém? Para que acorde e partilhe da nossa alegria: “um Menino nasceu para nós, um Filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado Conselheiro admirável” (Is 9,6).

Um santo Natal, com os olhos bem abertos e a cabeça bem erguida!

Lisboa, 17 de Dezembro de 2006

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