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Nossa Senhora Dos Mártires de LisboaParóquia dos Mártires

A Igreja já está ressuscitada!

Prior Armando Duarte.

O Sr. Vítor ferve em pouca água… hoje vinha furioso. Na sua terra, uma aldeia nos arredores de Sintra, aonde sempre vai passar o fim-de-semana, a Missa dominical é, há anos, celebrada na sede da Sociedade Recreativa. Então, não é que neste Domingo, a Direcção comunicou que tal situação não se poderia manter devido à oposição de um significativo número de sócios da colectividade?!

Os tempos não estão fáceis. Nas aldeias e nas cidades, nos jornais, na rádio e na televisão, no parlamento ou no café da esquina, sente-se um ambiente de hostilidade à Igreja. Mas, curiosamente, a Igreja não pára de crescer, se não em número, ao menos em vitalidade. Há sete anos, na primeira Semana Santa que passei nestas Paróquias, pareceu-nos acertado propor aos fiéis a participação nas cerimónias da Sé e, para as pessoas de mais idade, celebrar as cerimónias do Tríduo Pascal alternadamente na Encarnação, nos Mártires, no Loreto e no Sacramento.
Este ano já celebrámos todas as cerimónias em todas as igrejas, excepto no Sacramento por estar em obras, e as igrejas encheram-se. E a Sé estava a abarrotar!

Que dizer então da Via Sacra na rua, todas as Sextas-Feiras da Quaresma? E da Via Matris, dos Passos de Jesus, da Procissão do Triunfo… E das confissões? Quantos penitentes não terão passado pelos confessionários destas igrejas implantadas num território ainda tão desertificado?

Vem agora aí um conjunto de grandes celebrações:

- Já neste Domingo, dia 10, às 16 horas, no adro da igreja de Santo Condestável, a Missa de Acção de Graças pela Canonização de São Nuno de Santa Maria. À mesma hora, no Martim Moniz, a Procissão da Senhora da Saúde. Há católicos para tanto, uma celebração não prejudicará a outra? Qual quê? Vão ver…

- Logo no Sábado a seguir, a partir das 15h30, a recepção à imagem de Nossa Senhora de Fátima da capelinha das Aparições seguida do Terço e da Missa, juntará milhares entre o Terreiro do Paço e Santa Apolónia.

- No dia 22, às 12h, a Procissão com as relíquias de Santa Rita de Cássia, da igreja da Oliveirinha até São Nicolau, atafulhará de novo toda a Baixa.

- E Junho promete ainda mais… No dia 11, às 16h, a partir da Sé e regressando à Sé, a Procissão do Corpo de Deus; No dia 13, a Procissão de Santo António pelas ruas de Alfama; no dia 29, às 16h, no Largo de São Paulo, o encerramento do Ano Paulino com a ordenação de novos padres para o serviço do Patriarcado. De novo milhares de fiéis na rua!

- Ficamo-nos, claro, pelas redondezas. As celebrações nos dias 12 e 13 em Fátima, e no dia 17, no Santuário de Cristo-Rei, atrairão um mar de gente!

O Santo Padre, na homilia da Vigília Pascal, explicava muito bem como é que esta hostilidade se torna num que dá ímpeto ao fogo que alastra…

A Igreja «está sobre as águas de morte da história e todavia já está ressuscitada. Cantando, ela agarra-se à mão do Senhor, que a sustenta por cima das águas. E sabe que deste modo é guindada fora da força de gravidade da morte e do mal – uma força da qual, sem tal intervenção, não haveria caminho algum de fuga – guindada e atraída para dentro da nova força de gravidade de Deus, da verdade e do amor.

De momento, ela encontra-se ainda entre os dois campos gravitacionais. Mas desde que Jesus ressuscitou, a gravitação do amor é mais forte que a do ódio; a força de gravidade da vida é mais forte que a da morte.

Porventura não é esta a situação da Igreja de todos os tempos? Sempre dá a impressão que ela deva afundar, e todavia já está salva. São Paulo ilustrou esta situação com as palavras: «Somos considerados (…) como agonizantes, embora estejamos com vida» (2 Cor 6, 9).
A mão salvadora do Senhor nos sustenta e assim podemos cantar já agora o cântico dos redimidos, o cântico novo dos ressuscitados: Aleluia! Amen».

 

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