



Uma Carta aos Paroquianos e Amigos por ocasião do 7º aniversário como Pároco dos Mártires e do Sacramento
A 8 de Dezembro de 2001, solenidade da Imaculada Conceição, o Senhor Cardeal Patriarca nomeou-me pároco das Paróquias do Chiado, Mártires, Encarnação e Sacramento, nas quais entrei, no Sacramento a 19 e nos Mártires a 20 de Janeiro, e na Encarnação, a qual viria a deixar em Setembro de 2006, em Junho de 2002.
Fez esta semana 7 anos que deixei o Concelho de Oeiras - onde paroquiei em Paço de Arcos e Algés-Miraflores, e por períodos mais curtos, em Caxias, Cruz Quebrada e Porto Salvo – para passar exercer o ministério sacerdotal no «coração» de Lisboa… aonde regressei passados 22 anos.
Na verdade, as primeiras missões que recebi do saudoso Cardeal Ribeiro, fixaram-me, entre 1976 e 1982, no Chiado. Enquanto trabalhei no Secretariado Diocesano da Pastoral das Vocações, vivi na residência paroquial dos Mártires, na paterna companhia do Padre Adriano Nunes, e, nesse período, durante 8 meses, fui pároco interino da Encarnação.
Regressei diferente, muito mais velho… Mas o Chiado, esse, encontrei-o irreconhecível! Depois do incêndio e da reconstrução, o Chiado mudou. As Paróquias – e falo particularmente dos Mártires e do Sacramento – estavam em ruínas e arruinadas, sem população, desertas de fiéis, sem tostão (sem cêntimo… pois, na altura, estava a fazer-se a transição do escudo para o euro…).
Passados 7 anos, nas Paróquias mudou alguma coisa? O Cónego João Seabra - ele, o Padre Mário Rui e eu formamos a equipa sacerdotal que tem a missão da dinamização pastoral do centro histórico da Cidade – há dias, numa tertúlia de amigos, descrevia a situação nestes termos: «de inicio entravam nas nossas igrejas as pessoas que vinham ao Chiado tomar uma bica no Bénard ou na Brasileira; agora, os fiéis que aqui vêm à Missa aproveitam para tomar a bica no Bénard e na Brasileira…». Passe o exagero, a imagem retrata bem a realidade, graças a Deus!
Temos todos uma memória curta… as igrejas da Encarnação e dos Mártires, quem as viu e quem as vê… esplendorosas! Para nos recordarmos do estado em que estavam, precisamos de ir ao Sacramento. Tal e qual,
Tenho-vos maçado muito com o assunto, por isso todos sabem… Espero que em breve aquela referência da ruína – o Sacramento – desapareça. Aliás, a recuperação já começou, embora, por enquanto, não “encha o olho”… o arranjo do telhado, a reconstrução das salas das traseiras da igreja e o restauro dos móveis são já obra feita.
São Sebastião e Santo Onofre alcançarão de Deus os meios necessários para o resto. A recente declaração do Senhor Ministro da Cultura considerando de interesse cultural o projecto de restauro e reabilitação da igreja do Sacramento, proporcionará às empresas que desejem dar apoio mecenático à obra os benefícios fiscais previstos na Lei do Mecenato. Mas isso é ainda uma possibilidade!!! A certeza, aquilo com que conto, é, como até agora, com a generosidade de cada um de vós, concretizada no pinga, pinga, uns pingos maiores outros menores, mas todos imensos aos olhos de Deus!
Um ciclo de 7 anos caracterizado por obras, arranjar dinheiro para as obras e por essa alegria de verificar que na zona mais característica da cidade de Lisboa, onde a prática religiosa andará pelos 11%, pelo menos na Paróquia dos Mártires ultrapassa, pela certa, os 100% (batota… tendo com referência a população residente na área da Paróquia… Vêem como as estatísticas se podem manobrar?!!!). Temos cuidado das igrejas mas, tenho consciência disso, descuidado a edificação da Igreja. Oxalá seja essa a tónica de um próximo ciclo.
Estou muito contente por servir a Igreja, agora, no Chiado! Dou graças a Deus – e a Nossa Senhora e a estes santos todos, presentes nas belas imagens de cada uma das igrejas. Cuidam e intercedem por mim, e, à falta de paroquianos, formam como que o meu Conselho Pastoral Paroquial, cujo Secretariado Permanente é constituído pela Senhora dos Mártires, Santo António, São Judas, Santo Expedito, São Padre Pio, Santa Filomena, São Charbel… No Conselho Económico Paroquial tenho como especiais conselheiros São José, São Sebastião, Santo Onofre, São Brás, Santa Rita e, claro, São Miguel Arcanjo, para nos defender dos ataques do Maligno que sempre se mete nestas coisas dos dinheiros. São peritos no exercício da corresponsabilidade eclesial!
Dou graças a Deus pelo Padre João Seabra e Pelo Padre Mário Rui, uma amizade que me suporta. Dou graças a Deus por esta equipa que está comigo todos os dias, uns voluntários, outros não, a quem quero, a uns como se fossem filhos, a outros como irmãos. Que seria de mim se Deus, na Sua misericórdia, não mos tivesse dado como Cireneus?... Dou graças a Deus por cada um de vós, e por aqueles que vêm de longe para me aturar.
Dedicado no Senhor Jesus, saúda-vos com muita estima e gratidão,
Lisboa, 20 de Janeiro de 2009