

- À lembrança de que um dos Reis passou a ser de cor a
partir do contacto que os portugueses tiveram com convertidos de outras
paragens.
Na arte medieval, os três Reis tinham um aspecto ocidental e um
deles parece mais jovem que os outros dois. Depois, tornaram-se
nos representantes das três idades da vida,
de três raças ou de três continentes diferentes. Assim
a ideia de ecumenismo, de que o Menino nasceu para todos os povos
e não
só para os hebreus de Moisés (outra
história).
- Enfim, à lembrança da vossa “costela” espanhola:
peçam à Avó para vos contar as visitas que os Reis
Magos faziam a Casablanca e à Calle de Stª. Lucia; à ceia
que a Avó Vicenta e a Carmen lhes preparavam; aos presentes que
lhe deixaram durante tantos anos felizes.
Peçam aos vossos Pais e Tios para vos contarem as cavalgadas dos
mesmos Reis pelas ruas de Badajoz e dos rebuçados e presentes que
lhes davam quando eles eram pequenos.
As figuras dos Reis foram realmente sempre mágicas, talvez muito porque, ao contrário das outras figuras do Presépio, tinham movimento: começavam por aparecer lá longe, no horizonte, e deixavam-nos que as fossemos aproximando todos os dias um pouquinho, até ficarem junto do Menino no dia 6 de Janeiro.
Entretanto, da
cena “Matança dos Inocentes”, escolhemos
o REI HERODES.
- O Rei Herodes é o “mau da fita” e temos dúvidas
que o desgraçado viesse a merecer a lembrança de algum patrocinador,
continuando “por restaurar” durante muitos mais anos.
- A matança dos inocentes lembra-nos que, nas mesmas paragens,
de há uns anos a esta parte, o massacre dos inocentes se repete
quase quotidianamente
- Este Herodes pode ser Herodes de Ascalon (porto de mar que
está ligado a Sansão – outro conto – e que o
avô julgava conhecer bem – outra história) chamado
Herodes o Grande, que foi realmente um grande rei, pai de outro Herodes,
o Antipas, que cerca de trinta anos mais tarde entra na célebre
cena da morte de S. João Baptista, inspiradora de música
tão bonita.
Mas isso é também outra história que vos havemos
de contar quando forem mais crescidinhos.
Finalmente, a cena “FUGA
PARA O EGIPTO”, que escolhemos
na totalidade.
Sempre nos tocou muito este episódio da Sagrada Família,
unida num daqueles momentos de adversidade que todas as famílias
teem de aprender a ultrapassar.
Se repararem bem, um dos 16 Presépios ou representações
da Sagrada Família que alumiamos no Natal em nossa casa é precisamente
a fuga para o Egipto.
Com confiança no Anjo que os guia, São José protege Nossa Senhora que, por sua vez resguarda o Menino nos seus braços. Lá está a palmeira que lhes serviu a sombra para repousarem e forneceu as tâmaras que lhes deram forças para o resto da jornada. (A partir daqui, a palma da palmeira será sistematicamente utilizada como símbolo de recompensa e glória para os santos mártires, tendo grande protagonismo juntamente com ramos de oliveira no ainda distante Domingo de Ramos).
E basta falar em Egipto para
nos ocorrerem mil e um relatos directa ou indirectamente relacionados
com as Escrituras e o Avô vos contar
experiências inesquecíveis lá vividas há quase
50 anos!
Como se dão conta, tudo continua interligado.
Tantas mais histórias nos vêm à cabeça, ao lembrarmos os Presépios das Igrejas da nossa infância ou das casas dos nossos Pais e Avós: quem os fazia (Carmen, Anica, Rosa, Beatriz da Serra, Avó Judith, Tia Rosinha…), os materiais que se utilizavam e onde se iam buscar (serradura para os caminhos, musgo fofo das encostas da Boca do Rio para cobrir cenários de papelão…), as horas de contemplação que revemos hoje na vossa atitude perante a representação do mesmo mistério.
Aquele
Presépio, que está em sítio mais
acessível
e com cujas figuras a Avó deixa que vocês brinquem, é feito
com madeira de oliveira da Terra Santa, crescida nos sítios que
tentamos recriar e, certamente, não muito longe do horto ou jardim
que mais tarde terá também um papel importante na história
do Menino Deus.
E pronto, por agora.
Vamos identificar os Dadores como Zambozinos, e assim ficará,
segundo diz o Sr. Prior, pelo menos até novo restauro.
O Menino Jesus sabe quem são os Zambozinos e vai dizer
a Nossa Senhora, ao São José, aos Reis Magos, ao
Herodes, ao casal de hebreus, aos 2 pastores e, já agora,
aos outros figurantes, acordando mesmo aquele pastor dorminhoco.
Como as pessoas não percebem bem a fala das figuras do Presépio
e não sabem quem são os Zambozinos, aqui ficam com um segredo
entre vocês e o Presépio da Igreja de Nossa Senhora dos Mártires
de Lisboa, segredo esse que só será passado a novos Zambozinos.
Dois beijos muito grandes para cada: um da Avó e outro do Avô